Coaching de carreira – a meio caminho da especialização

19 de Janeiro de 2021

Por esta altura espero que já te tenha ajudado a perceber que o Coaching te permite optimizares o desenvolvimento das tuas competências pessoais e interpessoais, seja no contexto profissional, social, emocional, familiar ou outro, com o objectivo de conseguires melhorar o teu autoconhecimento e o teu autodesenvolvimento através de um processo de questionamento interior que te irá ajudar a atingires os teus objectivos.

Além disso, também já te falei de como nesse processo de crescimento individual é importante que faças a descoberta da tua vocação através de uma auto-análise profunda da tua individualidade e da compatibilidade dos teus interesses, competências e habilidades com uma actividade profissional e que, apesar de este ser um caminho pessoal, não tem de ser um caminho angustiante e solitário.

E, se nos tens seguido online, certamente já saberás que aquilo que faço é Coaching vocacional, um tipo de Coaching orientado para a descoberta da vocação ajudando-te igualmente a alinhares a tua vocação com o teu propósito de vida de forma a poderes sentir-te realizado de uma forma holística. Como a tua realização pessoal passará certamente pela tua realização profissional, faz sentido que o Coaching vocacional seja um dos subtipos do Coaching de carreira, não faz?

Mas o que é o Coaching de carreira?

De forma simples e directa, é um tipo de Coaching que te pretende ajudar a definir e a conquistar os teus objectivos profissionais, procurando dar resposta às necessidades associadas ao ultrapassar das etapas que compõem o caminho a que chamamos percurso profissional ou carreira.

Como assim, objectivos profissionais?

Quando acabamos os estudos, sejam eles quais forem e de que nível ou tipo de ensino forem, pensamos em entrar numa empresa (ou em começar uma empresa ou actividade profissional) e não nos importamos – aliás, faz sentido – de começar por baixo.

Pois bem, ao dizermos que «começamos por baixo» estamos implicitamente a dizer que existem níveis acima e que aquilo que pretendemos alcançar a longo prazo, está um pouco mais acima ou é um pouco maior do que o sítio onde começamos.

Essa posição em que «começamos por baixo» é o teu 1.º objectivo profissional. Os restantes objectivos profissionais corresponderão aos degraus que constituem a escada que irás subir até à tão desejada posição.

Mas e o que é isso das «necessidades associadas ao ultrapassar das etapas que compõem o caminho»?

Aqui falamos de competências, saberes e experiências, sejam elas hard skills, ou aptidões técnicas associadas ao saber-fazer alguma coisa; ou soft skills, ou aptidões socio-emocionais associadas ao saber-ser/saber-estar (o que inclui competências como a gestão das emoções e do tempo, a resolução de problemas, a criação e manutenção de relações profissionais e sociais, a tomada de decisões responsáveis, a capacidade de aprendizagem e de adaptação ou a definição e consecução de metas e objectivos).

Como poderás imaginar, muitas destas aptidões vão sendo adquiridas e/ou afinadas com as coisas que vais fazendo, aprendendo e ambicionando, assim como compreenderás que aquilo que irás precisar para começar será diferente daquilo que necessitarás para atingires cada um dos tais objectivos.

Algumas destas competências sair-te-ão naturalmente, outras darão um pouco mais de trabalho – são essas que terás de trabalhar e, por vezes, precisarás de ajuda de alguém para conseguires desbloquear os teus poderes. E isso não tem mal nenhum.

Então, mas onde é que começa a carreira e onde é que ela acaba (se é que acaba)?

Se procurarmos o significado do que é carreira podemos ficar a perceber este conceito um pouco melhor, mas também podemos ficar um pouco confusos ou acabarmos por ter uma visão limitada daquilo que realmente compõe um percurso profissional. Senão, vejamos:

- profissão ou percurso profissional em que pode haver lugar a progressos ou retrocessos;

- trajetória que uma pessoa percorrerá ao longo da sua vida profissional;

- emprego ou série de empregos que permitem que ao longo do tempo se consiga ter um cargo melhor ou uma remuneração maior;

- evolução de uma pessoa numa profissão ou empresa;

- processo de aprendizagem e de aperfeiçoamento de competências para que uma pessoa possa fazer melhor o seu trabalho e progredir para melhores cargos ou empregos;

- caminho estruturado e organizado no tempo e no espaço;

- conhecimentos específicos, como cursos, especializações, palestras, formas de trabalho, promoções profissionais, projetos efectuados, desafios enfrentados, etc., ou seja, toda a experiência prática adquirida ao longo da vida profissional;

- sucesso numa profissão.

De uma maneira ou de outra, todas as definições acima nos transmitem a ideia de que a carreira é um processo que prevê a existência de uma evolução e que precisa de ser desenvolvida.

Como sabemos, em Portugal este processo começa logo na escola quando terminamos o 9.º ano e temos de escolher que curso iremos seguir no 10.º ano.

Algumas pessoas querem convencer-nos a antecipar bastante esta fase, fazendo com que as crianças deixem de ser crianças e sejam projectos de futuro. Deixem as crianças ser crianças porque ao serem crianças conhecem melhor o mundo e a elas mesmas (mas este é outro assunto!).

Claro que escolher é sempre difícil e acarreta sempre um peso, acarretando sempre uma fase de transição. Nestas idades, é uma fase muito delicada, com muitas decisões a serem tomadas e responsabilidades a serem assumidas. Mais ainda porque estas escolhas nos colocam num caminho, num percurso que pressupõe várias etapas, as quais se encontram por norma encadeadas. Tal poderá deixar o jovem assoberbado, visualizando um futuro cheio de consequências que dependem daquele exacto momento.

Antes de mais, é preciso tirar esse peso insuportável dessa decisão – de forma responsável, claro está.

É que, apesar de ser uma escolha importante – que é e, portanto, deve ser encarada como tal –, não é um processo irreversível ou não-reformulável. Desde que seja feito com pés e cabeça ou, por outras palavras, com base em fundamentos pessoais e conhecimento das circunstâncias.

Tal como acontece com o nosso crescimento pessoal, também a evolução profissional é um processo de autoconhecimento, exploração e tomada consciente de decisões. Ninguém se quer ver num trabalho em que é infeliz, em que não se sente realizado, com o qual não se identifica.

Por isso, também nesta área devemos fazer corresponder as nossas necessidades, capacidades e objectivos às decisões que tomamos para nos mantermos num determinado caminho profissional. E devemos lembrar-nos que o fazemos num mundo em constante mudança.

Se há algo que não podemos negar é que actualmente vivemos num mundo que avança a grande velocidade e que é muito competitivo, sofrendo alterações constantes que nos obrigam a estar como os computadores, sempre com as actualizações em dia.

Este movimento contínuo e frenético, faz com que seja ainda mais importante termos um equilíbrio entre o nosso mundo interior e o nosso mundo externo, sob pena de nos perdermos no caminho, passando a viver o percurso e não a vida (profissional ou pessoal). É bom termos objectivos, mas não nos podemos deixar dominar por eles – a intenção é sermos nós a domar esses objectivos.

Além disso, sabemos que se não resultar, podemos sempre mudar, recomeçar, reajustar, repensar objectivos e formas de evolução – ou não fossem a capacidade de adaptação e a resiliência as heroínas da realidade profissional do séc. XXI.

Deste modo, podemos afirmar que a carreira é um processo a ser desenvolvido ao longo da vida, centrando-se na gestão das aprendizagens, sobre a nossa área, profissão ou tarefa, mas também sobre nós mesmos e sobre os nossos objectivos de vida. Afinal de contas, queiramos ou não, o nosso trabalho é uma boa parte da nossa vida e do nosso dia-a-dia.

E onde é que entra o Coaching de carreira?

Quando precisas de ser recordado que ao projectares a tua vida no futuro deverás ter uma visão que te motive, te entusiasme e te estimule.

Quando precisas de conseguir identificar a solução para algum problema que surgiu ou que pensas que possa surgir.

Quando precisas de ultrapassar algum tipo de insatisfação, receio, dúvida, desorientação ou insegurança que te faz entrar em modo «não consigo fazer», «não sou bom profissional», «faço tudo mal», «nunca vou conseguir crescer».

Quando precisas de melhorar o teu desempenho e os teus conhecimentos e nem sabes por onde começar.

Quando precisas de colocar de lado o medo da mudança e abraçar um novo desafio, seja na empresa em que trabalha, seja para aceitares uma oportunidade ou abraçares um desafio completamente diferente e assustador.

Quando precisas de começar, por algum lado, e parece que as portas estão todas fechadas.

Quando precisas de sair de uma situação de desemprego e isso pode significar que tens de aprender novas competências ou tens de fazer uma reconversão profissional.

Quando precisas de ajuda – não que façam por ti.

 

(este artigo foi escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico)

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