Burnout – esgotamento crónico

21 de Junho de 2021

Era suposto escrever sobre outra coisa (sim, isto tem algum planeamento), mas li um artigo que dizia que 25 % da população geral revela sintomas de burnout e isso assustou-me.

Não sou ingénua, sabia que muita gente se sentia sobrecarregada e que a pandemia trouxe com ela uma série de condicionalismos que fez com que os sentimentos de "falta de produtividade" se reflectissem num aumento do número de horas dedicadas ao trabalho – muitas vezes, com sacrifício do descanso, da família e do sono, numa altura em que muitas das actividades que fazíamos para descontrair e para nos abstrairmos do trabalho estavam fechadas e não tínhamos para onde ir: vou só ali adiantar uns e-mails…

Mas digo-te porque me assustou:

- primeiro, porque burnout significa "queimar até ao fim" e o número de quem chegou ao limite é gigantesco, estamos a falar de 1 em cada 4 pessoas;

- segundo, porque este esgotamento físico e mental incapacitante e esta perturbação psicológica tem apenas como causa o excesso de trabalho e de pressão.

E isto significa que, por um lado, as empresas não estão atentas às situações de mobbing (comportamento abusivo que atente contra a integridade psíquica ou física de uma pessoa no trabalho) e, por outro, nós não estamos a ouvir o nosso corpo.

Todos deveríamos saber – e cumprir – a regra 8+8+8:

- dormir 8 horas (só 5 % da população consegue dormir menos horas sem ter consequências para a saúde);

- trabalhar 8 horas (mas não de seguida, fazendo pausas a cada 45 minutos/1hora de, pelo menos, 5 minutos e saindo do posto de trabalho – ajuda a manter a concentração, a criatividade, a produtividade e a conter a ansiedade. Além disso, a pausa para o almoço é sagrada); e

- ter 8 horas de lazer e de tempo pessoal (permite a higiene e reparação física e mental e é uma necessidade humana básica).

Já antes falei de que temos de encontrar tempo para parar e, quando o stress aumenta, essa necessidade é ainda mais importante e imperativa (certamente já ouviste falar de profissões de desgaste rápido, ou seja, que são caracterizadas pela pressão e stress, desgaste emocional ou físico e condições de trabalho extremas, e que estas têm pausas mais rígidas, número de horas mais reduzido e idade de reforma inferior, precisamente porque colocam o corpo em condições que não lhe são favoráveis).

Se sentes que atingiste o estado de burnout, ou estás quase a atingir, pede ajuda especializada. A psicoterapia ajuda! O tratamento é necessário! (o coaching pode ser um auxiliar da terapia, mas é indispensável que tenhas apoio terapêutico).

Quando a PNL (Programação Neurolinguística) é usada para o mal

Se alguns de nós sentem uma pressão interna para ser sempre melhor, fazer sempre mais e admiram viciados no trabalho (workaholics) e precisam de se auto-controlar para não cometer excessos, outras vezes, essa pressão começa no exterior e, inconscientemente, instala-se no nosso interior, sob a forma de menorização do eu.

Sobre este último processo, podemos dizer que é exercida sobre nós uma manipulação neurolinguística negativa, uma vez que é através de palavras e de atitudes repetitivas, com tons pejorativos, irónicos ou agressivos, que esta violência emocional e psicológica é exercida.

Deixo aqui alguns sinais de alerta:

  • sentes que os teus sentimentos, preocupações, necessidades ou opiniões são desvalorizados ("lá estás tu a complicar", "és demasiado sensível");
  • sentes que és desprezado, menosprezado, criticado, inferiorizado ou humilhado, em público ou em privado ("nunca fazes sentido nenhum", "devia ter percebido que não ias conseguir", "parece-me que não estás a ser eficiente", "porque é que fizeste aquilo assim?", "quem é que te disse para fazeres aquilo?");
  • é usado um discurso culpabilizante ("estás a prejudicar toda a equipa", "nunca ninguém se queixou, só tu é que te queixas de tudo", "já te pedi isso várias vezes, mas nunca tens tempo para fazer nada");
  • sentes que todas as tuas acções são controladas e monitorizadas, fazendo-te estar sempre em estado de alerta (à espera da próxima rebocada – se fazes, é porque fazes mal; se não fazes, é porque não fazes nada);
  • sentes que estás a ser diminuído ("eu sei que tentas, mas não consegues perceber") e, por vezes, até são envolvidas outras pessoas ("toda a gente se queixa de ti/do teu trabalho", "não sou só eu que digo, não é verdade, colegas?");
  • sentes que te fazem duvidar constantemente de ti e das tuas capacidades ("a situação está complicada, tens mesmo de te esforçar mais", "precisamos que te empenhes mais", "se conseguires, vais ajudar toda a equipa", "achas mesmo que podemos contar contigo?").

Fica atento e ouve o teu corpo.

No entanto, não deixes de ser crítico e realista – nada disto é desculpa para seres calão, mau colega ou mau profissional.

E quando és empreendedor, como fazes?

Sabemos que ser empreendedor envolve, muitas vezes, fazer o trabalho de muitas funções (marketing, vendas, facturação, cobranças, trabalho efectivo, networking, etc.) e isso pode ser avassalador – principalmente se virmos outros a publicitar o quão bem fazem tudo em tão pouco tempo.

Sim, podemos optimizar o nosso tempo e ser mais produtivos – e posso ajudar-te com isso –, mas até isso tem um limite. E temos de saber o nosso limite.

Mesmo sendo o nosso sonho, não podemos prejudicar a nossa saúde por ele – sem saúde, não há negócio.

Se trabalhas 12/13/14 horas e mesmo assim não tens margem para contratar ajuda, então, algo está mal e precisas de descobrir o que é. Lembra-te que 12 horas é um dia e meio de trabalho normal, ou seja, deveria ser feito por uma pessoa a tempo inteiro e outra a part-time. Pode ser exequível durante algum tempo – para garantires que é algo regular e sustentado, mas não pode ser a norma.

Aprenderes a delegar e conheceres os teus próprios pontos fortes e pontos fracos ajudar-te-á a fazeres melhor aquilo que precisas para elevares o teu negócio – e também te posso tentar ajudar nisso.

Mas não é aqui que acaba a vigilância quanto ao burnout no que toca aos empreendedores.

Quando contratas ajuda – interna ou externa –, tens de garantir que as pessoas que trouxeres para o teu lado não sejam também afectadas pelos seus efeitos.

Lembra-te, ninguém saberá tão bem como tu como fazer as coisas. E, por isso, ninguém será tão rápido nem tão eficiente como tu.

Adicionalmente, ninguém será tão disponível como tu – o bebé é teu, os outros são apenas as amas que cumprem a função para a qual foram contratadas e, após cumprirem o seu dever, "deixam-te o bebé no colo".

Assim, se pagas para teres uma ajuda de 4/6/8 horas, tens de garantir que o que pedes para ser feito em 4/6/8 horas é exequível de ser feito nessas horas – e não são as horas em que tu o farias, porque tu criaste o teu projecto, mas as horas e as tarefas vistas de forma realista e sustentada (porque podemos produzir a todo o vapor algumas horas ou alguns dias ou, até, alguns meses, mas acabamos por "rebentar").

Além disso, não deves esperar que façam mais do que aquilo que contrataste (e nem todas as funções são "produtivas", embora sejam precisas, como a facturação ou o marketing), afinal, cumprirem aquilo que acordaram contigo não pode significar que não são dedicados ou que não estão empenhados no projecto. Significa, sim, que valorizam o seu tempo – como tu o fazes quando colocas uma tarifa nos teus serviços/produtos – e o cumprimento dos termos do contrato – como tu exiges quando forneces um serviço/produto.

Mas, como disse acima, não podes deixar de ser crítico e realista – nada disto é desculpa para teres colaboradores que não trabalham, que são maus colegas ou maus profissionais.

No entanto, se te apanhares a usar frases como as que listei anteriormente, pára e repensa. Alguma coisa não está bem. A saúde mental e física dos teus colaboradores é também uma função tua (ou de alguém a quem delegaste essa tarefa).

 

Juntos e individualmente temos de promover negócios saudáveis, para todos.

 

(este artigo foi escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico)

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